Características Diagnósticas
A característica essencial do Transtorno
de Apego Reativo é uma ligação social acentuadamente perturbada e inadequada
ao nível de desenvolvimento na maioria dos contextos, com início antes dos
5 anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos
(Critério A). Existem dois tipos de apresentação: no Tipo Inibido, a criança
fracassa persistentemente em iniciar ou responder à maior parte das interações
sociais de uma forma adequada a seu nível de desenvolvimento. A criança apresenta
um padrão de respostas excessivamente inibidas, hipervigilantes ou altamente
ambivalentes (por ex., vigilância fixa, resistência a ser confortada ou um
misto de abordagem e esquiva) (Critério A1). No Tipo Desinibido, existe um
padrão de vinculações difusas. A criança demonstra uma sociabilidade indiscriminada
ou falta de seletividade na escolha das figuras de vinculação (Critério A2).
A perturbação não é explicada unicamente por um atraso no desenvolvimento
(por ex., como no Retardo Mental) e não satisfaz os critérios para um Transtorno
Invasivo do Desenvolvimento (Critério B). Por definição, a condição está associada
a cuidados amplamente patológicos, que podem assumir a forma de negligência
persistente em relação às necessidades emocionais básicas da criança por conforto,
estimulação e afeto (Critério C1); negligência persistente em relação às necessidades
físicas básicas da criança (Critério C2); ou mudanças repetidas de quem cuida
primariamente da criança, evitando a formação de vínculos estáveis (por ex.,
mudanças freqüentes de pais adotivos) (Critério C3). Os cuidados patológicos
supostamente respondem pela perturbação na interação social (Critério D).
Subtipos
O tipo predominante de perturbação na ligação social pode ser indicado pela
especificação de um dos seguintes subtipos para o Transtorno de Apego Reativo:
Tipo Inibido:
Neste subtipo, a perturbação predominante na reatividade social é o fracasso persistente
em iniciar e responder à maioria das interações sociais de um modo adequado ao
nível de desenvolvimento.
Tipo Desinibido: Este subtipo é utilizado se a perturbação predominante na ligação
social é uma sociabilidade indiscriminada ou uma falta de seletividade na
escolha das figuras de vinculação.
Características e Transtornos Associados
Características descritivas e transtornos
mentais associados. Certas situações (por ex., hospitalização prolongada da
criança, extrema pobreza ou inexperiência dos pais) podem predispor ao
desenvolvimento de cuidados patológicos. Entretanto, cuidados visivelmente
patológicos nem sempre resultam no desenvolvimento de um Transtorno de Apego
Reativo; algumas crianças podem formar vínculos e relacionamentos sociais estáveis
mesmo em face de acentuada negligência ou abuso. O Transtorno de Apego Reativo
pode estar associado com atrasos no desenvolvimento, Transtorno de Alimentação
da Primeira Infância, Pica ou Transtorno de Ruminação.
Achados laboratoriais associados
Achados laboratoriais consistentes com
desnutrição podem estar presentes.
Achados ao exame físico e condições médicas gerais associadas. O exame físico
pode documentar condições médicas associadas que possivelmente contribuem para
as dificuldades em cuidar da criança ou que decorrem destas dificuldades (por
ex., atraso de crescimento, evidências de abuso físico).
Prevalência
Os dados epidemiológicos são limitados,
mas o Transtorno de Apego Reativo parece ser muito raro.
Curso
O início do Transtorno de Apego Reativo
geralmente se situa nos primeiros anos de vida e, por definição, ocorre antes
dos 5 anos de idade. O curso parece variar, dependendo de fatores individuais
na criança e em seus responsáveis, da gravidade e da duração da privação
psicossocial associada, bem como da natureza da intervenção. Uma melhora
considerável ou remissão pode ocorrer com o oferecimento de um ambiente com
apoio adequado. De outro modo, o transtorno segue um curso contínuo.
Diagnóstico Diferencial
No Retardo Mental, os vínculos apropriados
com os responsáveis geralmente se desenvolvem de um modo consistente com o
nível de desenvolvimento geral da criança. Entretanto, alguns bebês e crianças
pequenas com Retardo Mental severo podem ser particularmente problemáticos para
os responsáveis e apresentar sintomas característicos de Transtorno de Apego
Reativo. Este deve ser diagnosticado apenas se estiver claro que os problemas
característicos na formação de vínculos seletivos não decorrem em função do
retardo.
O Transtorno de Apego Reativo deve ser diferenciado do Transtorno Autista e
outros Transtornos Invasivos do Desenvolvimento. Nestes, os vínculos seletivos
não se desenvolvem ou apresentam alto grau de desvio, mas isto geralmente
ocorre na presença de um ambiente Transtorno Autista e outros Transtornos
Invasivos do Desenvolvimento também se caracterizam pela presença de um
prejuízo qualitativo na comunicação e padrões restritos, repetitivos e
estereotipados de comportamento. O Transtorno de Apego Reativo não é
diagnosticado se são satisfeitos os critérios para um Transtorno Invasivo do
Desenvolvimento. O Tipo Desinibido deve ser diferenciado do comportamento
impulsivo ou hiperativo característico do Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade. Comparado com o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade,
o comportamento desinibido no Transtorno Reativo de Vinculação está
caracteristicamente associado com uma tentativa de formar um vínculo social
após um período muito breve de conhecimento.
Cuidados amplamente patogênicos são um aspecto definidor do Transtorno de Apego
Reativo. Uma anotação adicional de Abuso ou Negligência à Criança ou Problemas
de Relacionamento entre Pai/Mãe-Criança pode ser indicada. Quando os cuidados
amplamente patogênicos não resultam em acentuada perturbação na ligação social,
Negligência da Criança ou Problemas de Relacionamento entre Pai/Mãe-Criança
podem ser anotados, ao invés de Transtorno de Apego Reativo.
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Critérios Diagnósticos para F94.x - 313.89 Transtorno de Apego Reativo
na Infância |
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A. Ligação social acentuadamente
perturbada e inadequada ao nível de desenvolvimento na maioria dos
contextos, iniciando antes dos 5 anos e evidenciada por (1) ou (2): |
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(1) fracasso persistente em iniciar
ou responder de maneira adequada ao nível de desenvolvimento à maior
parte das interações sociais, manifestado por respostas excessivamente
inibidas, hipervigilantes ou altamente ambivalentes e contraditórias
(por ex., a criança pode responder aos responsáveis por seus cuidados
com um misto de aproximação, esquiva e resistência ao conforto, ou
pode apresentar uma vigilância fixa) |
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B. A perturbação no critério
A não é explicada unicamente por atraso no desenvolvimento (como no
Retardo Mental) e não satisfaz os critérios para Transtorno Invasivo
do Desenvolvimento. |
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C. Cuidados patogênicos, evidenciados
por pelo menos um dos seguintes critérios: |
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D. Existe uma suposição de que
os cuidados no Critério C são responsáveis pela perturbação comportamental
no Critério A (por ex., as perturbações no Critério A começaram após
os cuidados patogênicos no Critério C). |
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Especificar tipo: |